19- Tudo é bom! / Everything Is Good!

Escrito em: 07/05/2024

Hoje quero falar de evolução — não da versão idealizada, de livro didático, mas da que a gente vive na pele.

Nem tudo o que se fala sobre evolução tem respaldo científico formal. E tudo bem. Isso não invalida a observação honesta, baseada na experiência e no método científico básico: observar, comparar, refletir e concluir. Foi assim que muita coisa importante avançou.

O que compartilho aqui não nasceu de teoria solta. Vem de décadas de estudo e, principalmente, de vivência real: como ser humano, psicólogo, empregado, empregador, pai de família e participante de uma escola filosófica há mais de 35 anos. A vida ensina — desde que a gente esteja disposto a aprender.

A ciência descreve uma parte muito antiga do cérebro humano, ligada ao instinto, à reação imediata, à sobrevivência. É o chamado cérebro reptiliano. Répteis são excelentes sobreviventes. O ser humano herdou isso. Mas foi além: além do instinto, temos consciência e espiritualidade, que obedecem a leis maiores do que simplesmente sobreviver.

O maior exemplo disso é Jesus Cristo. Ele não foi derrotado. Seu corpo foi executado pelo poder político da época, mas o espírito não pode ser eliminado. A abnegação do corpo não é incapacidade de sobreviver — é visão ampliada da vida. Quem enxerga mais longe, aceita perder no curto prazo para ganhar no essencial.

Muitas vezes, sobreviver não significa apenas se preservar fisicamente, mas compreender o sentido do que está acontecendo. O que o instinto não entende, a consciência espiritual consegue acessar. E isso muda tudo: a forma de ver, aceitar e aprender.

Um AVC, sob o olhar instintivo, é apenas uma falha neurológica, traumática, limitante. Sob um olhar mais amplo, é uma experiência que obriga a aprender. E tudo o que amplia a aprendizagem tem valor. Por isso, digo sem romantizar: tudo é bom. São oportunidades inesperadas — difíceis, sim — mas possíveis de serem transformadas.

Toda escolha passa por dois caminhos. O mais rápido dá alívio imediato, prazer momentâneo, mas não gera evolução. O outro é mais longo, exige paciência, humildade e a capacidade de sair do próprio centro. Foi esse caminho que eu escolhi: o da aprendizagem a partir da experiência, analisada sob uma perspectiva espiritual. Não é fácil. Mas compensa.

Para quem ainda não consegue alcançar esse ponto de vista, a busca por uma escola filosófica pode ajudar. Amplia repertório, fortalece a consciência e sustenta o processo.

No fim, a ideia é simples: tudo é bom, desde que saibamos interpretar os acontecimentos de forma mais ampla. Experiências traumáticas não são o fim da linha — muitas vezes são o verdadeiro ponto de partida na jornada da evolução.

____________________________________________________________________________________________________________

English text version:

Written on: May 7, 2024

Today I want to talk about evolution — not the idealized, textbook version, but the kind you experience in real life.

Not everything that is said about evolution has formal scientific backing. And that’s okay. Honest observation, grounded in experience and in the basic scientific method — observing, comparing, reflecting, and drawing conclusions — still leads to meaningful insights. That is how many important advances have been made.

What I share here did not come from loose theory. It comes from decades of study and, above all, from real-life experience: as a human being, a psychologist, an employee, an employer, a father, and a participant in a philosophical school for more than 35 years. Life teaches — as long as we are willing to learn.

Science describes a very ancient part of the human brain, linked to instinct, immediate reaction, and survival. This is often called the reptilian brain. Reptiles are excellent survivors, and human beings inherited that capacity. But we went further: beyond instinct, we have consciousness and spirituality, which follow laws greater than mere survival.

The greatest example of this is Jesus Christ. He was not defeated. His body was executed by the political powers of his time, but the spirit cannot be destroyed. The renunciation of the body is not an inability to survive — it is an expanded vision of life. Those who see farther are willing to lose in the short term in order to gain what truly matters.

Many times, survival does not mean simply preserving the body, but understanding the meaning of what is happening. What instinct cannot grasp, spiritual consciousness can access. And that changes everything: how we see, how we accept, and how we learn.

A stroke, from an instinctive perspective, is just a neurological failure — traumatic and limiting. From a broader perspective, it is an experience that forces learning. And everything that expands learning has value. That is why I say, without romanticizing it: everything is good. These are unexpected opportunities — difficult, yes — but capable of being transformed.

Every choice leads down two paths. The faster one brings immediate relief and momentary pleasure, but no real evolution. The other is longer, demands patience, humility, and the ability to step outside oneself. This is the path I chose: learning through experience, analyzed from a spiritual perspective. It is not easy. But it is worth it.

For those who cannot yet reach this point of view, the search for a philosophical school may help. It broadens perspective, strengthens awareness, and sustains the process.

In the end, the idea is simple: everything is good, as long as we know how to interpret events from a broader point of view. Traumatic experiences are not the end of the road — they are often the true starting point on the path of evolution.

Comentários

  1. Olá Luiz, gostei da sua análise sobre o funcionamento do cérebro e de como você vê a sua experiência como Boa. Tenho grande admiração pela sua paciência, persistência e maneira positiva de ver a vida. Nos mostra que há esperança mesmo em momentos tão desafiadores, como o que você passando. Obrigado por compartilhar seus pensamentos, reflexões e sentimentos. Um forte abraço.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

33- Julgamento desnecessário: o afastamento do novo!/ Unnecessary Judgment: Moving Away from the New

1- Apresentação / Presentation