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38 - Reabilitação começa na mente, antes do corpo/ Rehabilitation Begins in the Mind, Before the Body

Quando a gente aceita uma nova verdade — e na reabilitação isso é inevitável — ela deixa de ser teoria e vira a base do nosso raciocínio. Não é opcional. É sobrevivência. A partir do momento em que você entende sua nova condição, o jogo muda: a recuperação deixa de ser um evento e passa a ser um caminho. Reabilitar não é só reaprender movimentos. É reorganizar a lógica interna. É aceitar que a vida agora exige outra interpretação — e que essa interpretação também faz parte da cura. Porque, no fundo, tudo é compreensível. Existe uma inteligência maior organizando processos: a do corpo, a do cérebro, a da vida. Você coopera com ela ou luta contra ela. Quem coopera, evolui mais rápido. E aí entra a palavra que poucas pessoas encaram de frente: vontade . A nossa — limitada, cansada, humana. E a maior — aquela força que não pergunta se você está pronto, apenas diz “anda”. É a vontade que decide se a reabilitação será reação ou revolução pessoal. Quando essa vontade encontra uma verdade — ...

Sociedade Próspera: Valores que construímos dentro de nós

Trabalhei por 30 anos como servidor público e me aposentei nessa função. Essa experiência me ensinou que o serviço público é essencial para uma sociedade próspera, porque só se constrói algo sólido quando há instituições fortes, guiadas por valores éticos e morais. Antes disso, passei pela iniciativa privada em grandes empresas, onde aprendi que administrar recursos com competência e honestidade não é apenas um diferencial, é uma obrigação. Vou focar aqui no setor público, porque acredito que o servidor tem papel central no ritmo e na qualidade de uma sociedade. Para mim, responsabilidade está ligada ao senso de pertencimento — saber que aquilo que você faz, ou deixa de fazer, impacta o todo. Lembro de um colega, ainda na iniciativa privada, que disse: “Preciso comparecer sempre, pois a minha falta nunca será notada”. Essa frase me marcou. Ela traduz um tipo de mentalidade que existe em qualquer ambiente — gente que trabalha só pelo salário, sem envolvimento ou propósito. Mas também ex...

A potência de acreditar em si

Vamos falar sobre algo que, com o tempo, aprendi a valorizar de verdade: o prazer da leitura e da escrita. Hoje, vejo com clareza que essas atividades não são só uma questão de enxergar letras e formar frases. Vai muito além. Leitura e escrita envolvem mente, emoções e percepção — é um processo interno, vivo. Depois que tive um AVC, muitas leituras me cansavam com facilidade. Mas teve um livro que virou a chave pra mim:  A Religião do Cérebro , do Raul Marino Jr. Li de ponta a ponta. O que me prendeu foi a conexão entre ciência e filosofia — dois temas que sempre estiveram no meu radar. Foi aí que percebi: quanto mais a gente se interessa, menos peso a atividade parece ter. O desafio vira motivação. Nunca fui um leitor daqueles que consome livro atrás de livro, mas sempre fui curioso e observador. Essa sede de entender o mundo me levou à escola filosófica Pro Vida, onde encontrei respostas que eu nem sabia que procurava. Durante a reabilitação, alguns terapeutas sugeriram leituras ...

Julgamento desnecessário: o afastamento do novo!

Durante o processo de criação do blog percebi que o corpo só manifesta aquilo que já está introjetado, ou seja, uma pessoa por mais erudita que seja precisa de tempo para introjetar os novos conhecimentos para posteriormente, permitir que este se manifeste na postura ou expressão facial.  Alimentando o meu Instagram, fui olhar fotos antigas e fotos recentes que mostravam essa diferença entre o Luiz Roberto antes do AVC e o Luiz Roberto pós AVC. O que percebi ao olhar essas fotos foi um Luiz menos defensivo no pós AVC, isso se mostrou nas minhas expressões faciais e no meu corpo.  Algumas pessoas ficam mais defensivas quando passam por um trauma, por exemplo um AVC, o que não foi o meu caso. O AVC, no fundo, me auxiliou a desarmar a defesa.  Quando desarmamos a defesa, a aparência fica com aspecto mais jovial porque a capacidade atencional em relação aos novos conhecimentos não passa pelo filtro do julgamento.  Percebo que o Luiz Roberto de hoje, pós AVC, é um ser mai...

Tudo que se deseja intensamente é possível!

Após a pandemia, percebi que o meu entrosamento com os profissionais de saúde cresceu tanto que passei a criar equipamentos que pudessem facilitar e complementar a minha reabilitação.  Sempre tive um viés criativo de coisas do dia a dia, minha formação após o ginásio enveredou pela área técnica pois já pressentia a necessidade de me desenvolver nessa área. Na escola técnica federal de São Paulo cursei Eletrotécnica equivalente a um curso Científico ou Clássico, portanto, meu perfil e minha formação estudantil me tornaram hábil em coisas incríveis como fundição, conceitos de física, segurança, serralheria, marcenaria, tornearia, engenharia.  A partir dos meus conhecimentos, meu perfil e minha melhora cognitiva, comecei a elaborar equipamentos de reabilitação que pudessem atender as minhas necessidades de afastamento do medo de uma possível queda e afastar também o desconforto dos terapeutas quanto a esse aspecto.  Minha primeira criação foi apelidada de “Sansão”, fazendo u...

31- O Bem Comum/ The Common Good

Escrito em: 18/02/2025 Conforme minha recuperação cognitiva avançava durante a reabilitação, minha relação com os profissionais de saúde também mudou. Passei a conversar mais, trocar ideias e, em alguns momentos, até ser consultado sobre minha experiência profissional. Isso aconteceu de forma natural. Além da minha formação em Psicologia Organizacional, tive experiências práticas com tributação e empreendedorismo ao longo da vida. Esse conjunto de vivências acabou criando pontes de diálogo com muitos profissionais que me acompanhavam. Durante a reabilitação, havia momentos curiosos: em alguns eu me sentia apenas paciente; em outros, me colocava no lugar dos próprios profissionais de saúde. Era como se eu estivesse olhando o processo dos dois lados. Minha experiência como Agente Fiscal de Rendas do Estado de São Paulo também entrou nessas conversas. Muitas vezes eu acabava dando orientações sobre temas como organização profissional, empreendedorismo e questões tributárias. Com...

30- Auto conhecimento como aliado de uma vida plena! /Self-Knowledge as an Ally to a Fulfilling Life!

Escrito em: 21/01/2025 Hoje quero conversar com vocês sobre uma ferramenta interessante da psicologia chamada Triângulo Dramático, utilizada dentro da Análise Transacional aplicada à psicoterapia. Antes de tudo, é importante lembrar que esse tipo de trabalho deve ser conduzido por um profissional de psicologia preparado para lidar com relações humanas e, sempre que possível, supervisionado por alguém mais experiente. Isso garante profundidade, ética e qualidade no processo terapêutico. A ideia central dessa ferramenta é observar os papéis que as pessoas assumem nas relações da vida. Muitas vezes participamos de verdadeiros “jogos psicológicos” sem perceber. Quando começamos a identificar esses papéis, ganhamos consciência e passamos a assumir mais responsabilidade sobre a própria vida. O modelo foi desenvolvido pelo psicólogo Stephen Karpman, que observou que muitos conflitos humanos giram em torno de três papéis principais: Vítima Salvador Perseguidor A vítima se sente injusti...