Texto 40- A finitude dos processos/ The Finitude of Processes
Existe algo que nem sempre estamos preparados para aceitar: processos acabam. Na teoria, isso parece simples. Sabemos que ciclos têm começo, meio e fim. Mas, na prática, quando o fim chega — seja de uma fase, de uma capacidade, de uma rotina ou de uma versão de nós mesmos — a experiência é outra. Ela não é racional. É emocional. Na reabilitação, essa verdade se torna inevitável. Muitas vezes, o que mais dói não é a limitação em si, mas o encerramento silencioso de um “eu” que já não existe mais. Aquela forma de agir, de pensar, de se movimentar pelo mundo — ela não volta. E insistir nisso pode transformar o processo de recuperação em sofrimento contínuo. Aceitar a finitude não é desistir. É, na verdade, um movimento de inteligência emocional. É compreender que todo processo cumpriu sua função, mesmo que não tenha terminado como gostaríamos. É reconhecer que houve aprendizado, houve construção, houve vida ali. Na reabilitação, existe um ponto de virada importante: quando a pessoa deixa ...