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36 - Reabilitação começa na mente, antes do corpo/ Rehabilitation Begins in the Mind, Before the Body

Quando a gente aceita uma nova verdade — e na reabilitação isso é inevitável — ela deixa de ser teoria e vira a base do nosso raciocínio. Não é opcional. É sobrevivência. A partir do momento em que você entende sua nova condição, o jogo muda: a recuperação deixa de ser um evento e passa a ser um caminho. Reabilitar não é só reaprender movimentos. É reorganizar a lógica interna. É aceitar que a vida agora exige outra interpretação — e que essa interpretação também faz parte da cura. Porque, no fundo, tudo é compreensível. Existe uma inteligência maior organizando processos: a do corpo, a do cérebro, a da vida. Você coopera com ela ou luta contra ela. Quem coopera, evolui mais rápido. E aí entra a palavra que poucas pessoas encaram de frente: vontade . A nossa — limitada, cansada, humana. E a maior — aquela força que não pergunta se você está pronto, apenas diz “anda”. É a vontade que decide se a reabilitação será reação ou revolução pessoal. Quando essa vontade encontra uma verdade — ...

35- Coragem, medo e responsabilidade na reabilitação/ Rehabilitation: the daily confrontation between fear and courage

Reabilitação: o confronto diário entre medo e coragem Ao longo da vida, aprendemos que coragem não é ausência de medo, mas a capacidade de agir apesar dele. A Segunda Guerra Mundial deixou isso evidente: o medo foi usado como ferramenta de controle, mas o efeito colateral foi inesperado — quanto mais o medo avançava, mais a coragem surgia em pessoas comuns, em diferentes funções e responsabilidades. Na reabilitação acontece algo muito semelhante. O medo aparece cedo: medo da limitação, da dependência, da dor, do futuro incerto. Ele é fisiológico, imediato, quase automático. Já a coragem nasce de outro lugar — mais silencioso, mais profundo. Ela não surge do corpo, mas da consciência. Quem já viveu o suficiente sabe: negar a realidade não protege, apenas atrasa. Fingir que nada mudou, ou terceirizar totalmente a responsabilidade, nos deixa confusos e estagnados. Reabilitar exige reconhecer quem somos agora, sem fantasia e sem vitimismo. É um processo de maturidade. Assumir a rea...

34 - A potência de acreditar em si/The Power of Believing in Yourself

Com o tempo, a gente aprende a dar valor ao que realmente importa. No meu caso, algo que ganhou espaço foi o prazer pela leitura e pela escrita. Hoje eu entendo que ler e escrever não é só decifrar palavras ou montar frases. É um processo interno. Envolve atenção, emoção, percepção. É algo que mexe com a gente por dentro. Depois do AVC, ler não era simples. Cansava. A concentração falhava. Mas teve um livro que fez diferença: A Religião do Cérebro , do Raul Marino Jr. Li do começo ao fim. O que me prendeu foi a ligação entre ciência e filosofia — dois temas que sempre fizeram sentido pra mim. E ali ficou claro: quando existe interesse real, o esforço diminui. O desafio deixa de ser um peso e passa a ser estímulo. Nunca fui um leitor compulsivo, mas sempre fui curioso. Observador. Essa necessidade de entender a vida me levou à escola filosófica Pró-Vida, onde encontrei respostas que nem sabia que estava procurando. Durante a reabilitação, vieram sugestões de leitura com foco t...

33- Julgamento desnecessário: o afastamento do novo!/ Unnecessary Judgment: Moving Away from the New

Escrito em: 22/04/2025 Durante a construção do blog, percebi algo importante: o corpo só expressa aquilo que já foi assimilado de verdade. Não adianta ter conhecimento teórico se ele ainda não foi incorporado. Até a postura e a expressão facial denunciam isso. Mexendo no meu Instagram, comecei a comparar fotos antigas com fotos recentes. Antes e depois do AVC. E a diferença ficou clara. No pós-AVC, eu apareço menos defensivo. Isso não está só na ideia — está no rosto, no corpo, na forma de me colocar. Muita gente, depois de um trauma, fica mais fechada, mais na defensiva. No meu caso, aconteceu o contrário. O AVC, de certa forma, desmontou essas defesas.  E isso trouxe um efeito interessante: quando a defesa cai, o julgamento perde força. Sem julgamento, o novo entra com mais facilidade. Hoje, percebo que estou mais aberto. O que chega até mim não passa mais por aquele filtro automático de crítica. Eu observo, experimento, absorvo. Existe um prazer real em aprender. A...

32- Tudo que se deseja intensamente é possível! / Everything You Truly Desire Is Possible

Escrito em: 27/03/2025 Depois da pandemia, ficou claro para mim que minha relação com os profissionais de saúde tinha mudado de nível. Já não era só acompanhamento — virou parceria. A partir daí, comecei a pensar em soluções práticas para melhorar minha própria reabilitação. Criatividade sempre fez parte do meu jeito. Lá atrás, ainda depois do ginásio, eu já intuía que precisava de base técnica. Fui para a Escola Técnica Federal de São Paulo, fiz Eletrotécnica, e isso me deu um repertório sólido: física, segurança, mecânica, marcenaria, serralheria, tornearia… coisas que hoje fazem toda a diferença. Com essa base, somada à recuperação cognitiva, comecei a desenvolver equipamentos voltados para um problema muito concreto: o medo de cair — meu e também dos terapeutas. A primeira criação foi o “Sansão”. Nome simples, direto, porque a ideia era exatamente essa: força e segurança. O “Sansão” é um sistema de ancoragem horizontal, fixado em laje, com base de engate rápido. Feito em ...

31- O Bem Comum/ The Common Good

Escrito em: 18/02/2025 Conforme minha recuperação cognitiva avançava durante a reabilitação, minha relação com os profissionais de saúde também mudou. Passei a conversar mais, trocar ideias e, em alguns momentos, até ser consultado sobre minha experiência profissional. Isso aconteceu de forma natural. Além da minha formação em Psicologia Organizacional, tive experiências práticas com tributação e empreendedorismo ao longo da vida. Esse conjunto de vivências acabou criando pontes de diálogo com muitos profissionais que me acompanhavam. Durante a reabilitação, havia momentos curiosos: em alguns eu me sentia apenas paciente; em outros, me colocava no lugar dos próprios profissionais de saúde. Era como se eu estivesse olhando o processo dos dois lados. Minha experiência como Agente Fiscal de Rendas do Estado de São Paulo também entrou nessas conversas. Muitas vezes eu acabava dando orientações sobre temas como organização profissional, empreendedorismo e questões tributárias. Com...

30- Auto conhecimento como aliado de uma vida plena! /Self-Knowledge as an Ally to a Fulfilling Life!

Escrito em: 21/01/2025 Hoje quero conversar com vocês sobre uma ferramenta interessante da psicologia chamada Triângulo Dramático, utilizada dentro da Análise Transacional aplicada à psicoterapia. Antes de tudo, é importante lembrar que esse tipo de trabalho deve ser conduzido por um profissional de psicologia preparado para lidar com relações humanas e, sempre que possível, supervisionado por alguém mais experiente. Isso garante profundidade, ética e qualidade no processo terapêutico. A ideia central dessa ferramenta é observar os papéis que as pessoas assumem nas relações da vida. Muitas vezes participamos de verdadeiros “jogos psicológicos” sem perceber. Quando começamos a identificar esses papéis, ganhamos consciência e passamos a assumir mais responsabilidade sobre a própria vida. O modelo foi desenvolvido pelo psicólogo Stephen Karpman, que observou que muitos conflitos humanos giram em torno de três papéis principais: Vítima Salvador Perseguidor A vítima se sente injusti...