30- Auto conhecimento como aliado de uma vida plena! /Self-Knowledge as an Ally to a Fulfilling Life!
Escrito em: 21/01/2025
Hoje quero conversar com vocês sobre uma ferramenta
interessante da psicologia chamada Triângulo Dramático, utilizada dentro da
Análise Transacional aplicada à psicoterapia.
Antes de tudo, é importante lembrar que esse tipo
de trabalho deve ser conduzido por um profissional de psicologia preparado para
lidar com relações humanas e, sempre que possível, supervisionado por alguém
mais experiente. Isso garante profundidade, ética e qualidade no processo
terapêutico.
A ideia central dessa ferramenta é observar os
papéis que as pessoas assumem nas relações da vida. Muitas vezes participamos
de verdadeiros “jogos psicológicos” sem perceber. Quando começamos a
identificar esses papéis, ganhamos consciência e passamos a assumir mais
responsabilidade sobre a própria vida.
O modelo foi desenvolvido pelo psicólogo Stephen
Karpman, que observou que muitos conflitos humanos giram em torno de três
papéis principais:
- Vítima
- Salvador
- Perseguidor
A vítima se sente injustiçada, frágil e sem
saída, esperando que alguém venha resolver seu problema.
O salvador aparece como aquele que quer
ajudar o tempo todo. Mas, muitas vezes, por trás dessa ajuda existe uma fuga
dos próprios problemas.
Já o perseguidor acredita que está sempre
certo. Na visão dele, a culpa é sempre do outro.
Esse triângulo aparece em muitas relações — na
família, no trabalho, na amizade e até na relação entre terapeuta e paciente.
Falando da minha própria experiência como terapeuta
no passado, lembro de um conflito interno bastante real. Dar alta para um
paciente significava ajudá-lo a caminhar com autonomia. Mas, ao mesmo tempo,
significava perder uma fonte de renda. Essa contradição me incomodava
profundamente.
Foi então que tomei uma decisão importante: busquei
outra fonte de renda e acabei me tornando servidor público por meio de
concurso. Com isso, consegui exercer minha profissão com mais liberdade e
consciência.
No meu caso, esse foi um momento claro de
apropriação da própria vida. Ao perceber o jogo, consegui sair dele.
Essa experiência reforçou uma convicção pessoal: todo
terapeuta também deveria fazer terapia. E, no campo da psicologia, a
supervisão profissional é fundamental para manter clareza e responsabilidade no
exercício da profissão.
Durante o início da minha reabilitação após o
Acidente Vascular Cerebral, eu me via claramente no papel de vítima. O corpo
não respondia aos meus comandos e a sensação era de impotência.
Nesse momento, as terapias funcionaram como uma
espécie de “salvador”, porque foram elas que me ajudaram a recuperar funções e
retomar o controle da minha vida.
Hoje, cerca de sete anos após o AVC, percebo uma
mudança natural acontecendo dentro de mim. Surge um sentimento de
responsabilidade em relação ao outro.
De certa forma, o papel mudou. Hoje, muitas vezes
me vejo ocupando a posição de quem procura ajudar. O próprio blog é um exemplo
disso: através das minhas experiências, tento compartilhar aprendizados e
apoiar quem está passando por processos semelhantes.
Outro exemplo importante envolve pessoas que
enfrentam depressão, especialmente após lesões ou doenças graves. Nem sempre a
solução está apenas na medicação.
Em muitos casos, um processo de autoconhecimento
conduzido por um psicólogo pode ajudar a pessoa a compreender melhor o que está
acontecendo internamente. A medicação costuma atuar no sintoma. Já o
autoconhecimento busca compreender a causa.
Quando identificamos os papéis dentro do Triângulo
Dramático, algo interessante acontece: deixamos de ser peças inconscientes do
jogo.
Os papéis continuam existindo — afinal, fazem parte
das relações humanas — mas agora passam a ser vistos com clareza. E quando
existe consciência, o jogo deixa de ser destrutivo e pode se transformar em
algo mais saudável e construtivo.
Para finalizar, gostaria de reforçar algo que
considero essencial para quem acompanha este blog: o autoconhecimento é uma
ferramenta poderosa.
Ele pode ser desenvolvido através de uma escola
filosófica, de uma prática espiritual ou de um processo terapêutico conduzido
por um profissional de psicologia.
Conhecer a si mesmo reduz o medo do desconhecido. E
quando o medo diminui, surge algo muito importante: força interior.
Essa força faz toda a diferença para enfrentar os
desafios da vida — inclusive em processos longos e exigentes como a
reabilitação.
Written on: 01/21/2025
Today I would like to talk with you about an
interesting psychological tool called the Drama Triangle, used within
Transactional Analysis applied to psychotherapy.
First of all, it is important to remember that this
type of work should be conducted by a trained psychology professional who is
prepared to deal with human relationships and, whenever possible, supervised by
someone more experienced. This ensures depth, ethics, and quality in the
therapeutic process.
The central idea of this tool is to observe the
roles people assume in life’s relationships. Very often we participate in real
“psychological games” without realizing it. When we begin to identify these
roles, we gain awareness and start taking more responsibility for our own
lives.
The model was developed by psychologist Stephen
Karpman, who observed that many human conflicts revolve around three main
roles:
- Victim
- Rescuer
- Persecutor
The victim feels wronged, fragile, and
powerless, waiting for someone to come and solve their problem.
The rescuer appears as someone who
constantly wants to help. However, many times this help hides an attempt to
avoid dealing with their own problems.
The persecutor, on the other hand, believes
they are always right. From their perspective, the fault always lies with
someone else.
This triangle appears in many relationships —
within families, at work, in friendships, and even in the relationship between
therapist and patient.
Thinking back to my own experience as a therapist
in the past, I remember a very real internal conflict. Discharging a patient
meant helping them move forward with autonomy. At the same time, however, it
also meant losing a source of income. This contradiction bothered me deeply.
So I made an important decision: I sought another
source of income and eventually became a public servant through a civil service
examination. This allowed me to practice my profession with greater freedom and
clarity.
In my case, that moment represented a clear
appropriation of my own life. Once I recognized the game, I was able to step
out of it.
This experience reinforced a personal conviction:
every therapist should also undergo therapy. In psychology, professional
supervision is fundamental to maintain clarity, responsibility, and ethical
practice.
At the beginning of my rehabilitation after a
Acidente Vascular Cerebral, I clearly saw myself in the role of victim. My body
did not respond to my commands, and the feeling was one of helplessness.
At that time, therapies functioned as a kind of
rescuer, because they helped me gradually recover abilities and regain control
over my life.
Today, about seven years after the stroke, I notice
a natural shift taking place within me. A sense of responsibility toward others
has begun to emerge.
In a way, the role has changed. Now I often see
myself in the position of someone trying to help. My blog is an example of
this: through my experiences, I try to share what I have learned and support
others who may be going through similar situations.
Another important example involves people facing
depression, especially after injuries or serious illnesses. The solution is not
always found only in medication.
In many cases, a self-knowledge process guided by a
psychologist can help the person better understand what is happening
internally. Medication often addresses the symptom, while self-knowledge seeks
to understand the cause.
When we identify the roles within the Drama
Triangle, something interesting happens: we stop being unconscious pieces in
the game.
The roles still exist — after all, they are part of
human relationships — but they begin to be seen with clarity. And when
awareness appears, the game stops being destructive and can become something
healthier and more constructive.
To conclude, I would like to reinforce something I
consider essential for those who follow this blog: self-knowledge is a powerful
tool.
It can be developed through a philosophical school,
a spiritual practice, or a therapeutic process guided by a qualified psychology
professional.
Knowing oneself reduces the fear of the unknown.
And when fear decreases, something very important emerges: inner strength.
This inner strength makes all the difference when
facing life’s challenges — including long and demanding processes such as
rehabilitation.
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