10 - Cooperação: o Novo Caminho da Cura / Cooperation: The New Path to Healing
Na recuperação, o novo não é um detalhe — é parte essencial do processo. O que pertence ao passado precisa ser reconhecido e guardado, para que o novo tenha espaço para entrar. Quando ficamos presos ao que já foi, impedimos que a cura, em qualquer sentido, aconteça.
Durante meu processo de
reabilitação, comecei a refletir sobre o modo como o trabalho em saúde é
organizado. Em muitos atendimentos, percebi que o modelo empresarial ainda
serve de referência para a gestão de profissionais e serviços. Esse modelo,
além de ultrapassado, engessa o potencial humano. Talvez por isso, e também por
minha vivência em cooperativas desde muito jovem, comecei a enxergar na
cooperação uma alternativa real para o futuro da saúde.
A cooperação se apoia em dois
pilares mentais fundamentais: crença e confiança. Ambos pouco explorados em
nossa lógica ocidental, que costuma valorizar o controle e a previsibilidade.
Crer é apostar que algo pode dar certo, mesmo sem um modelo pronto para seguir.
Confiar é acreditar que o outro usará sua inteligência e responsabilidade não
para se beneficiar sozinho, mas para fortalecer o coletivo.
A história mostra que é assim que
o novo nasce. O comércio global, por exemplo, surgiu quando os fenícios
decidiram confiar em pessoas que nem conheciam. Acreditaram que o bem comum
poderia ser construído a partir da troca e da confiança. É essa mesma lógica
que pode impulsionar um novo modelo de cooperação na saúde.
Se aprendermos a identificar o
que nos prende ao velho e o que nos abre para o novo, poderemos construir
sistemas mais humanos e sustentáveis. As cooperativas de saúde podem ser o
futuro: profissionais coproprietários, comprometidos com o crescimento mútuo e
com um atendimento de qualidade ímpar.
A ética será o fio condutor, substituindo a lógica do lucro e da apropriação
por uma cultura de cuidado e prosperidade compartilhada.
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English text version:
During
my rehabilitation, I began to reflect on how work is organized in the
healthcare field. In many of my sessions, I noticed that the business model
still dominates how professionals and institutions operate. This model,
outdated and rigid, limits human potential. Perhaps because I had early
experiences with cooperatives, I started to see cooperation as a more natural
and promising path for health systems.
Cooperation
relies on two key mental aspects: belief and trust. These concepts are rare in
Western logic, which tends to value control and predictability. Belief is the
courage to move forward without a ready-made formula. Trust is the confidence
that others will use their intelligence not for personal gain, but to
strengthen the whole.
History
shows that this is how something new takes shape. Global trade, for instance,
began when the Phoenicians decided to trust people they had never met. They
believed that the common good could be built through exchange and trust. That
same mindset can inspire a new cooperative model in healthcare today.
If
we learn to recognize what keeps us attached to the old and what opens us to
the new, we can build systems that are more human and sustainable. Health
cooperatives could represent that future — professionals as co-owners,
dedicated to collective growth and to delivering truly exceptional care.
Ethics will serve as the guiding principle, replacing the logic of profit and
individual ownership with a culture of shared care and prosperity.
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