24 - Humores e temperos nas relações humanas/ Moods and Seasonings in Human Relationships
Escrito em: 22/08/2024 Depois do AVC, passei a prestar atenção em tudo de um jeito que antes não prestava. Antes, eu tratava muita coisa como se fosse igual. As informações ficavam na cabeça; no coração, eu guardava só o que era mais íntimo: família, filhos, amigos. Hoje, entendo que a maior parte das coisas fica, sim, no coração — mesmo quando a gente finge que é só racional. Isso ficou muito claro nas relações com cuidadores e profissionais de saúde. Antes, eu avaliava as pessoas quase só pelo lado funcional: assiduidade, pontualidade, competência técnica, comunicação rápida e objetiva. Depois do AVC, comecei a perceber coisas mais sutis, mas decisivas: o tom de voz, a intenção por trás da fala, a presença (ou ausência) de empatia, as crenças internas de cada um — que, mesmo sendo internas, interferem diretamente na relação externa — além de valores morais, senso de responsabilidade e respeito. Ao longo da reabilitação, fui aprendendo a me relacionar melhor com terapeutas e cui...