22- A importância da compreensão sobre a Visão/ The Importance of Understanding Vision
Escrito em: 01/08/2024
Antigamente, onde estavam as pessoas com
deficiência?
Quando éramos crianças, muitos de nós não se
lembram de conviver com elas. E isso não era coincidência. Pessoas com
deficiência existiam, como sempre existiram, mas eram mantidas fora do convívio
social — muitas vezes escondidas pelas próprias famílias.
Por quê?
Porque a sociedade não estava preparada para
incluir. E as famílias, com medo da discriminação, optavam pelo isolamento como
forma de proteção. O problema é que esconder não resolve. Apenas adia o
enfrentamento.
O fato de algo não ser visto não significa que não
exista. Significa apenas que foi ocultado. Esse é um ponto central no processo
de aprendizagem — especialmente aquela mediada por um mestre. Mestre não é só
quem ensina conteúdo formal. É quem ajuda a revelar o que não é imediatamente
perceptível: professores, instrutores, líderes bem-intencionados, amigos,
referências familiares. Pessoas que ampliam nosso campo de visão.
O olho humano tem uma função curiosa: ele valida a
realidade. Tendemos a acreditar mais no que vemos. O imaginário, o invisível ou
o desconhecido costuma ser tratado com desconfiança — quase sempre associado ao
negativo. O visível vira sinônimo de verdade; o invisível, de ameaça.
A discriminação nasce exatamente aí: da falta de
conhecimento do outro. Quando a pessoa com deficiência é mantida à distância,
ela deixa de ser compreendida — e, aos poucos, passa a ser excluída. A
sabedoria popular resume bem: “o que não é visto, não é lembrado”. E o que não
é lembrado, some da consciência coletiva.
A proximidade é o que muda esse cenário.
Aproximar-se do desconhecido reduz o medo, desmonta fantasias e torna a
aceitação algo natural. É no contato real que a visão se amplia — não apenas a
visão física, mas a visão humana.
Em síntese, o que este texto propõe é um convite:
não nos limitemos ao sentido da visão. Se tivermos coragem de aprender,
aceitaremos a chegada do mestre certo para cada etapa e ampliaremos nosso
entendimento sobre o que realmente significa ver.
É assim que conquistamos a liberdade interna e o
respeito genuíno que tanto buscamos.
In the past, where were people
with disabilities?
When we were children, many of
us do not remember living alongside them. And this was not a coincidence.
People with disabilities existed — as they always have — but they were kept out
of social life, often hidden by their own families.
Why?
Because society was not prepared
to include them. And families, fearing discrimination, chose isolation as a
form of protection. The problem is that hiding does not solve anything. It only
postpones the confrontation.
The fact that something is not
seen does not mean it does not exist. It simply means it has been concealed.
This is a central point in the learning process — especially learning guided by
a master. A master is not only someone who teaches formal content, but someone
who helps reveal what is not immediately perceptible: teachers, instructors,
well-intentioned leaders, friends, family references. People who expand our
field of vision.
The human eye has a curious
function: it validates reality. We tend to believe more in what we can see. The
imaginary, the invisible, or the unknown is often treated with suspicion —
almost always associated with something negative. What is visible becomes
synonymous with truth; what is invisible, with threat.
Discrimination arises precisely
there: from the lack of knowledge about the other. When a person with a
disability is kept at a distance, they cease to be understood — and gradually
become excluded. Popular wisdom summarizes this well: “what is not seen is
not remembered.” And what is not remembered disappears from collective
awareness.
Proximity is what changes this
scenario. Approaching the unknown reduces fear, dismantles fantasies, and makes
acceptance natural. It is through real contact that vision expands — not only
physical vision, but human vision.
In summary, what this text
proposes is an invitation: let us not limit ourselves to the sense of sight. If
we have the courage to learn, we will welcome the arrival of the right master
for each stage and expand our understanding of what it truly means to see.
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