26- Viajar é bom! /Travel Is Good!
Escrito em: 24/10/2024
Viajar é, antes de tudo, uma forma de autocuidado.
É um tempo que você separa para cuidar de você mesmo.
Existem muitos tipos de viagem: a de lazer, a de
trabalho, a de estudo, a para visitar a família, e por aí vai. Cada uma tem seu
motivo, mas todas têm algo em comum: tiram a gente da rotina e colocam a cabeça
em outro lugar.
Na minha retomada depois do AVC, decidi fazer uma
viagem com foco em objetividade e segurança. No quesito objetividade, escolhi
um lugar onde minha presença faria sentido. No meu caso, fui para um evento e
curso da Pró Vida, em Nova York.
Para encarar essa primeira viagem pós-AVC, precisei
planejar muito mais do que antes. Eu já não tinha a mesma margem para
improvisar nem a antiga flexibilidade para resolver imprevistos. Aquele excesso
de confiança que fazia parte da minha personalidade e servia como “reserva”
para apagar incêndios simplesmente não existe mais. Hoje, tenho mais
consciência e menos impulsividade. Minha fragilidade faz parte do dia a dia, e
isso me deixou mais prudente. Planejar virou meu aliado — e me deu a
tranquilidade de saber que tudo pode dar certo.
Planejamento exige tempo, dedicação e paciência. É
preciso prestar atenção nos detalhes. E, se puder, leve um acompanhante para
ajudar nas situações inesperadas. Um detalhe importante: esse acompanhante
cuidador é previsto em lei federal e pode ter até 80% de desconto na passagem
aérea. O passageiro com deficiência — como eu, que uso cadeira de rodas — paga
a passagem integral e, depois, solicita à companhia aérea o desconto do
cuidador. A resposta costuma ser rápida.
Outra dica prática: você pode ir com a sua cadeira
de rodas até a porta do avião. Ali, a equipe da companhia aérea ajuda na
transferência para uma cadeira menor, própria para circular dentro da aeronave,
pensada para os corredores e o acesso ao banheiro. Os comissários auxiliam
nesse processo, e algumas aeronaves já têm barras de apoio no toalete.
Dependendo do destino, também dá para alugar cadeira de rodas. Em Nova York,
por exemplo, eu aluguei uma scooter motorizada, o que me deu muito mais
independência e liberdade. O que mais me chamou a atenção foi como a cidade é
acessível, tanto nas ruas quanto dentro dos restaurantes, inclusive no acesso
às mesas.
Na primeira viagem, minha cadeira de rodas — que
vai no bagageiro — sofreu algumas avarias. Nada que impedisse o uso, mas o dano
existiu. Reclamei com a companhia aérea e fui ressarcido. Isso não afetou minha
vontade de continuar viajando. Encarei como parte do processo, e assim tem sido
nas outras viagens que fiz depois.
Hoje, meus filhos são meus principais planejadores
e companheiros de viagem. Isso só fortalece nossa relação. Somos um time, como
minha filha costuma dizer.
Para fechar, deixo uma convicção bem clara: vale a
pena cada instante. Viajar é bom. E ninguém deveria deixar de fazer isso por
causa da sua condição física, cognitiva ou emocional.
Traveling is, first of all, a form of self-care. It
is time you set aside to take care of yourself.
There are many types of trips: leisure, work,
study, visiting family, and so on. Each has its own reason, but they all share
something in common: they take us out of our routine and put our minds in a
different place.
In my return to life after the stroke, I decided to
take a trip with a focus on practicality and safety. When it came to
practicality, I chose a place where my presence would make sense. In my case, I
went to an event and course by Pró Vida in New York.
To face this first post-stroke trip, I had to plan
much more than before. I no longer had the same room for improvisation or the
old flexibility to deal with the unexpected. That excess confidence that used
to be part of my personality and served as a “reserve” for putting out fires
simply isn’t there anymore. Today, I have more awareness and less
impulsiveness. My fragility is part of daily life, and that has made me more
cautious. Planning became my ally—and gave me the peace of mind to know that
things can go right.
Planning requires time, dedication, and patience.
You have to pay attention to details. And if you can, take a companion to help
in unexpected situations. One important detail: this caregiver companion is
provided for by federal law and may receive up to an 80% discount on airfare.
The passenger with a disability—like me, who uses a wheelchair—pays the full
fare and then requests the caregiver’s discount from the airline. The response
is usually quick.
Another practical tip: you can go with your
wheelchair all the way to the aircraft door. There, the airline staff helps
transfer you to a smaller chair designed to move inside the plane, especially
for the aisles and access to the restroom. The flight attendants assist with
this process, and some aircraft already have grab bars in the restroom.
Depending on the destination, you can also rent a wheelchair. In New York, for
example, I rented a motorized scooter, which gave me much more independence and
freedom. What impressed me most was how accessible the city is, both on the
streets and inside restaurants, including access to the tables.
On my first trip, my wheelchair—which is
transported in the cargo hold—suffered some damage. Nothing that prevented its
use, but the damage did happen. I filed a complaint with the airline and was
reimbursed. That did not affect my motivation to keep traveling. I took it as
part of the process, and that’s how it has been on the other trips I’ve taken
since.
Today, my children are my main planners and travel
companions. That only strengthens our relationship. We are a team, as my
daughter likes to say.
To close, I’ll leave one conviction very clear:
every moment is worth it. Traveling is good. And no one should stop doing it
because of their physical, cognitive, or emotional condition.
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