Postagens

9- A Visão Interna da Saúde: o que os olhos não veem, o corpo sente / The Inner Vision of Health: What the Eyes Don’t See, the Body Feels

Quando estamos em plena saúde, não nos relacionamos com tanta frequência com profissionais de saúde. A partir do momento em que esta relação se torna necessária, a mente humana tem que se adequar a esta nova realidade.  Uma característica desta nova relação é a classificação que o profissional de saúde faz do paciente. Para o paciente  o estado de saúde é uma condição interna. Para o profissional a classificação parte de uma análise externa do paciente. Por exemplo, a presença de uma cadeira de rodas pode ser um indicativo externo de que há uma dificuldade a ser superada e que o paciente indica ser uma pessoa doente . Esta visão externa de alguns profissionais pode também ser uma visão de alguns pacientes. O estado emocional é uma condição interna que está intimamente ligada a isto e que pode fazer com que uma cadeira de rodas seja vista por prismas diferentes tanto por um , quanto por outro.  Para um paciente em estado depressivo, uma cadeira de rodas pode significar o f...

8 - Reabilitação e Tecnologia: Caminhando Juntos / Rehabilitation and Technology: Moving Forward Together

Um bom processo de reabilitação começa sempre com planejamento. Para planejar de forma eficiente, é essencial ter acesso às informações corretas. É aqui que a tecnologia da informação (TI) se torna uma grande aliada, oferecendo ferramentas que ampliam a capacidade de análise e a tomada de decisão do profissional de saúde. Para que médicos, terapeutas, especialistas em tecnologia e pacientes sigam no mesmo caminho, é importante que todos compreendam alguns conceitos básicos. Um deles é o estímulo eferente: um comando que parte do sistema nervoso central em direção ao músculo, responsável por gerar movimento. Na minha própria jornada de reabilitação, utilizei diversos equipamentos tecnológicos, como correntes elétricas (FES, TENS, laserterapia) e recursos robóticos (In Motion, Lokomat, luva pneumática e Neurobots).   Entre as novidades, destaco o Neurobots, voltado para membros superiores. Apesar de ainda ter um custo elevado e estar restrito a profissionais credenciados, trata-se de...

7 - Profissionais de saúde ou anjos na Terra? / Health professionals or angels on Earth

Poucas profissões nos fazem refletir tanto sobre quem somos quanto a de profissional da saúde. A relação entre paciente e equipe de cuidados é uma das experiências mais intensas que alguém pode viver — tanto para quem cuida quanto para quem está em recuperação. O atendimento em saúde vai muito além do médico. É um trabalho conjunto de uma equipe multiprofissional composta por médicos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, psicólogos e profissionais de enfermagem. Cada um tem um papel específico, mas todos trabalham pelo mesmo objetivo: a recuperação e a autonomia do paciente. Durante minha reabilitação, tive o acompanhamento de três médicos: Dr. Bruno  Budicin , clínico geral, Dr. Péricles   Tey Otani , fisiatra, Dr. Alexandre Haman, otorrinolaringologista. Na fisioterapia, fui atendido por Wagner, Andressa, Osmar e Ailson, com foco em treinos de marcha. Wagner, além de fisioterapeuta, era o coordenador da equipe e o elo de comunicação entre o...

6 - O tempo, o sentir e o cérebro – uma visão mais prática / Time, Feeling, and the Brain – A Practical Perspective

Tempo e espaço não funcionam do mesmo jeito quando comparamos a realidade com o que acontece dentro da nossa cabeça. Quando estamos pensando, é como se o tempo desse uma pausa. Só volta a correr quando mudamos de pensamento ou finalizamos a ideia. Nosso cérebro é a central de interpretação do que sentimos. Quando a gente percebe um sentimento, o cérebro transforma aquilo numa espécie de "imagem mental". A partir daí, esse sentimento passa a ter um registro. Mas o sentimento original – o sentir puro – é tão rápido que não fica registrado. A gente só consegue lembrar da interpretação que o cérebro fez dele, não do sentir em si. É como se o sentimento acontecesse em outra camada da experiência humana. E mesmo que não fique gravado, esse sentir puro tem um papel essencial no funcionamento do nosso corpo. Quando falamos em reabilitação, normalmente pensamos em neurônios e nos circuitos que enviam (eferentes) e recebem (aferentes) informações. Para tudo funcionar bem, esses ...

5 - "Should I stay or should I go?" — Decisões que moldam o caminho / "Should I stay or should I go?" — Decisions That Shape the Journey

A pergunta imortalizada pela banda The Clash — "Should I stay or should I go?" — é mais do que um refrão marcante dos anos 80. É uma síntese de um dilema humano essencial: seguir em frente ou parar? Mudar ou permanecer? Essa dúvida aparece na arte, na publicidade e, claro, na vida real — especialmente em momentos de transição. Na reabilitação física ou emocional, essa pergunta também aparece, ainda que de forma silenciosa, nos gestos, nos olhares e nos pequenos movimentos do paciente. Nem sempre é algo verbalizado. Mas está ali. E é aí que entra o papel do terapeuta — alguém que, mais do que dominar técnicas, precisa inspirar confiança e perceber o que ainda não foi dito ou feito. Para que isso aconteça, o terapeuta precisa mais do que conhecimento. Ele precisa de liberdade interna — aquele espaço mental onde ele se sente seguro para acessar o que sabe e aplicar na prática. Sem essa liberdade, o conhecimento fica bloqueado. E o paciente sente isso. A diferença entre u...

4 - Uma Nova Visão sobre Reabilitação: Caminho de Autonomia e Conexão / A New Perspective on Rehabilitation: A Path of Autonomy and Connection

A reabilitação vai muito além de apenas recuperar movimentos. Cada ação nesse processo pode ter um propósito funcional, mas o que realmente guia as decisões é algo maior: a busca pelo crescimento pessoal e o aprimoramento do ser. No começo, é comum que as escolhas sejam feitas pelo profissional de saúde, com apoio da família. Nessa fase, o paciente ainda está num papel mais passivo. Mas conforme ganha autonomia, ele passa a ser protagonista do próprio processo. É aí que a reabilitação realmente começa a evoluir. Quando essa autonomia desperta, os resultados ficam mais claros — e aceleram. As melhorias deixam de ser apenas internas e passam a ser percebidas por todos ao redor. A motivação cresce e o processo ganha uma força coletiva. Com mais independência, o reabilitando passa a escolher os próprios profissionais. E isso muda tudo. O terapeuta deixa de ser apenas alguém que aplica técnicas, e passa a ser um parceiro. A empatia se aprofunda, e começa a surgir uma percepção além do...

3 - Quando a família entra em campo, a recuperação acontece! / The Role of Family in Rehabilitation

Sempre tive o apoio firme da minha esposa e dos meus filhos. Eles foram otimistas, competentes e carinhosos, encarando cada desafio de frente. Mas existe um abismo entre o que a gente imagina na cabeça e o que a cultura ao nosso redor consegue absorver. Muitas vezes, a família não consegue sair desse “modo cultural” — e isso limita a comunicação. O novo traz desconforto, e o tempo entre ter a ideia e todos entenderem faz parte de um processo coletivo que exige paciência e maturidade. No meu caso, a atividade cerebral acelerada trouxe uma criatividade que eu nunca tinha vivido. Isso veio de dois fatores: 1. O cérebro, na tentativa de se recuperar, entra em “modo turbo”. 2. Com menos mecanismos de defesa emocional, sobra mais energia para criar. Só que essa energia extra pode gerar mais atrito do que harmonia nos relacionamentos, porque todos estamos aprendendo a lidar com algo novo: eu, tentando entender e tratando a novidade como se já fosse um velho amigo; e minha família, me apoi...