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13- O caminho da evolução/ The Path of Evolution

Escrito em: 16/06/2023 Na vida, todos nós buscamos um sentido — a sensação de que aquilo que fazemos e sentimos está alinhado com quem queremos ser e com a direção que estamos seguindo. Para mim, evolução é exatamente isso: um caminho contínuo, construído pelas pessoas, acontecimentos e escolhas que cruzam nossa jornada. Nada é por acaso, e tudo deixa aprendizado. Quando olho para minha história, inclusive para o AVC que vivi, enxergo esse fato não como um erro ou negligência, mas como parte desse caminho evolutivo. A causa foi uma má formação dos vasos cerebrais, e não falha no controle da pressão arterial. Entender isso tirou o peso da culpa e trouxe serenidade para atravessar aquele momento difícil. Aprendi que o conhecimento só faz sentido quando vem de uma base filosófica séria, onde existe responsabilidade de quem ensina e compromisso de quem aprende. Disciplina e exemplo são fundamentais. Quando essa estrutura existe, o conhecimento transforma — e transforma para melhor. A vida ...

12- A confiança no bom/ Trust in the Good

Escrito em: 26/05/2023 Sou psicólogo de formação e essa escolha profissional, somada ao modo como fui construindo meu olhar sobre o mundo, moldou profundamente quem eu sou hoje. Sempre busquei entender o ser humano para além do óbvio, e isso me levou a estudar diversas vertentes de conhecimento: esoterismo, numerologia, astrologia, tarô, quiromancia — caminhos que, concorde-se ou não, ampliaram minha percepção sobre mim mesmo e sobre a vida. Acredito que ninguém caminha totalmente sozinho. Chame de mentor, mestre, consciência superior ou até intuição: existe uma força que orienta quando estamos atentos e dispostos a aprender. Para mim, essa ideia sempre fez sentido — a de que existem referências mais evoluídas que nos acompanham e que nos ajudam a manter o rumo, principalmente quando a vida desafia. No processo de adoecimento, isso fica evidente. Apoio externo é bem-vindo, mas a força real nasce de dentro. A travessia é individual — porque, no fundo, é sempre a nossa mente que interpre...

11- A construção de um EU mais forte /Building a Stronger Self

Quando a vida tira o chão, a gente é obrigado a encarar o que estava empurrando com a barriga. Ficar doente, no meu caso viver um AVC, foi como receber um chamado direto: ou eu mudava, ou ficava parado no tempo. E parar nunca foi uma opção. No começo, a hemiplegia assusta. O corpo não responde, a cabeça corre mais rápido que as pernas e o medo tentam tomar conta. Eu me perguntava se ia voltar ao normal, se minha recuperação seria total. Com o tempo entendi que reabilitação não é um evento — é um caminho, e que a velocidade desse caminho depende da nossa disposição interna para mudar. E aí está o ponto: mudar não é confortável. Manter tudo como está é sempre mais fácil. Mas, quando a mudança bate à porta, você precisa encarar o espelho sem filtro. Não dá para ser duas versões de si mesmo ao mesmo tempo. Ou você muda de verdade, ou não muda. E mudança real exige coragem, ação e abandono dos medos que seguram a gente no mesmo lugar. Para mergulhar fundo nessa transformação, precisei de um...

10 - Cooperação: o Novo Caminho da Cura / Cooperation: The New Path to Healing

Na recuperação, o novo não é um detalhe — é parte essencial do processo. O que pertence ao passado precisa ser reconhecido e guardado, para que o novo tenha espaço para entrar. Quando ficamos presos ao que já foi, impedimos que a cura, em qualquer sentido, aconteça. Durante meu processo de reabilitação, comecei a refletir sobre o modo como o trabalho em saúde é organizado. Em muitos atendimentos, percebi que o modelo empresarial ainda serve de referência para a gestão de profissionais e serviços. Esse modelo, além de ultrapassado, engessa o potencial humano. Talvez por isso, e também por minha vivência em cooperativas desde muito jovem, comecei a enxergar na cooperação uma alternativa real para o futuro da saúde. A cooperação se apoia em dois pilares mentais fundamentais: crença e confiança. Ambos pouco explorados em nossa lógica ocidental, que costuma valorizar o controle e a previsibilidade. Crer é apostar que algo pode dar certo, mesmo sem um modelo pronto para seguir. Confiar é acr...

9- A Visão Interna da Saúde: o que os olhos não veem, o corpo sente / The Inner Vision of Health: What the Eyes Don’t See, the Body Feels

Quando estamos em plena saúde, não nos relacionamos com tanta frequência com profissionais de saúde. A partir do momento em que esta relação se torna necessária, a mente humana tem que se adequar a esta nova realidade.  Uma característica desta nova relação é a classificação que o profissional de saúde faz do paciente. Para o paciente  o estado de saúde é uma condição interna. Para o profissional a classificação parte de uma análise externa do paciente. Por exemplo, a presença de uma cadeira de rodas pode ser um indicativo externo de que há uma dificuldade a ser superada e que o paciente indica ser uma pessoa doente . Esta visão externa de alguns profissionais pode também ser uma visão de alguns pacientes. O estado emocional é uma condição interna que está intimamente ligada a isto e que pode fazer com que uma cadeira de rodas seja vista por prismas diferentes tanto por um , quanto por outro.  Para um paciente em estado depressivo, uma cadeira de rodas pode significar o f...

8 - Reabilitação e Tecnologia: Caminhando Juntos / Rehabilitation and Technology: Moving Forward Together

Um bom processo de reabilitação começa sempre com planejamento. Para planejar de forma eficiente, é essencial ter acesso às informações corretas. É aqui que a tecnologia da informação (TI) se torna uma grande aliada, oferecendo ferramentas que ampliam a capacidade de análise e a tomada de decisão do profissional de saúde. Para que médicos, terapeutas, especialistas em tecnologia e pacientes sigam no mesmo caminho, é importante que todos compreendam alguns conceitos básicos. Um deles é o estímulo eferente: um comando que parte do sistema nervoso central em direção ao músculo, responsável por gerar movimento. Na minha própria jornada de reabilitação, utilizei diversos equipamentos tecnológicos, como correntes elétricas (FES, TENS, laserterapia) e recursos robóticos (In Motion, Lokomat, luva pneumática e Neurobots).   Entre as novidades, destaco o Neurobots, voltado para membros superiores. Apesar de ainda ter um custo elevado e estar restrito a profissionais credenciados, trata-se de...

7 - Profissionais de saúde ou anjos na Terra? / Health professionals or angels on Earth

Poucas profissões nos fazem refletir tanto sobre quem somos quanto a de profissional da saúde. A relação entre paciente e equipe de cuidados é uma das experiências mais intensas que alguém pode viver — tanto para quem cuida quanto para quem está em recuperação. O atendimento em saúde vai muito além do médico. É um trabalho conjunto de uma equipe multiprofissional composta por médicos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, psicólogos e profissionais de enfermagem. Cada um tem um papel específico, mas todos trabalham pelo mesmo objetivo: a recuperação e a autonomia do paciente. Durante minha reabilitação, tive o acompanhamento de três médicos: Dr. Bruno  Budicin , clínico geral, Dr. Péricles   Tey Otani , fisiatra, Dr. Alexandre Haman, otorrinolaringologista. Na fisioterapia, fui atendido por Wagner, Andressa, Osmar e Ailson, com foco em treinos de marcha. Wagner, além de fisioterapeuta, era o coordenador da equipe e o elo de comunicação entre o...