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20- Evolução exige mudança interna! / Evolution Requires Inner Change!

Escrito em: 27/06/2024 Continuando a reflexão sobre evolução, é preciso deixar algo claro: não existe evolução sem mudança. E a mudança mais difícil — e mais necessária — é a interna. Mudança interna é aprender a lidar com as próprias reações. Especialmente aquelas respostas automáticas do ego, do instinto, que pouco têm a ver com razão. Quanto mais a gente reconhece esses impulsos e reduz a intensidade com que eles nos dominam, mais avançamos como pessoas. Antes do AVC, eu me dava justificativas — muitas vezes frágeis — para reações claramente inadequadas. Depois do AVC, passei a enxergar essas reações como o que realmente são: respostas instintivas, sem base racional. E quando a justificativa cai, sobra apenas a responsabilidade de dominar a reação. A agressividade é um exemplo claro. Antes do AVC, ela fazia parte da minha forma de me comunicar. Depois, passou a ser algo a ser controlado, porque não havia razão que a sustentasse. Outro exemplo: eu sempre escolhia sentar de fr...

19- Tudo é bom! / Everything Is Good!

Escrito em: 07/05/2024 Hoje quero falar de evolução — não da versão idealizada, de livro didático, mas da que a gente vive na pele. Nem tudo o que se fala sobre evolução tem respaldo científico formal. E tudo bem. Isso não invalida a observação honesta, baseada na experiência e no método científico básico: observar, comparar, refletir e concluir. Foi assim que muita coisa importante avançou. O que compartilho aqui não nasceu de teoria solta. Vem de décadas de estudo e, principalmente, de vivência real: como ser humano, psicólogo, empregado, empregador, pai de família e participante de uma escola filosófica há mais de 35 anos. A vida ensina — desde que a gente esteja disposto a aprender. A ciência descreve uma parte muito antiga do cérebro humano, ligada ao instinto, à reação imediata, à sobrevivência. É o chamado cérebro reptiliano. Répteis são excelentes sobreviventes. O ser humano herdou isso. Mas foi além: além do instinto, temos consciência e espiritualidade, que obedecem a leis ma...

18- Respeito! /Respect!

Escrito em: 04/04/2024 Acessibilidade não acontece por acaso. Ela é resultado de escolhas claras — pessoais e coletivas. Envolve arquitetura, equipamentos, cultura, leis, políticas públicas, empatia e educação. Quando um desses pontos falha, o respeito também falha. A arquitetura é o primeiro teste de caráter de uma sociedade. Rampas, elevadores, banheiros adaptados e sinalização não são luxo nem favor. Eles tornam visível se alguém pensou no outro ou simplesmente ignorou sua existência. O espaço revela valores. Equipamento é o que permite à pessoa com deficiência fazer o que precisa ser feito com autonomia. Cadeira de rodas, próteses, dispositivos de apoio e tecnologia assistiva não devolvem privilégios — devolvem função, dignidade e independência. A cultura define o quanto uma sociedade está disposta a respeitar quem precisa de adaptação. Em muitos países europeus, o foco é autonomia. No Brasil, ainda predomina o assistencialismo: ajuda-se, mas não se emancipa. Essa diferença...

17- Colocar-se no lugar do outro/Putting Yourself in Someone Else’s Place

Escrito em: 08/03/2024 Depois do AVC, fui obrigado a enfrentar muito cedo a questão da acessibilidade. Eu sentia, na prática, a necessidade de interagir com o ambiente, e percebi que acessibilidade não era um detalhe — era fundamental para meu conforto e para minha evolução na reabilitação. O primeiro choque aconteceu quando voltei do hospital e descobri que eu não conseguia acessar o meu próprio quarto. Ali percebi que acessibilidade não é um conceito distante; é algo que impacta diretamente a dignidade. A minha família teve um papel decisivo nesse processo: imediatamente transformaram o escritório em quarto hospitalar e iniciaram a instalação de um elevador em casa. Mas mesmo com esses recursos físicos, eu ainda não tinha condições emocionais para usufruir dos ambientes. A parte psicológica pesa — e muito. À medida que fui me fortalecendo, comecei a explorar a casa de novo, e percebi que o próprio ambiente estimula a recuperação quando temos abertura para isso. Quando o elevado...

16- Gratidão sempre! / Gratitude Always!

Escrito em: 08/12/2023 Antes do AVC, eu enxergava a vida principalmente pelo resultado. O sucesso, para mim, era medido pelo acúmulo de bens materiais e pela capacidade de alcançar metas externas. Resultado era sinônimo de conquista visível. Um detalhe curioso — mas significativo — é que, antes do AVC, eu precisava fazer raspagem nos dentes com frequência para remover tártaro. Depois do AVC, nunca mais precisei desse procedimento. Acredito que isso simboliza um processo interno de libertação: aquilo que antes se acumulava como peso material já não encontra mais espaço, nem no corpo, nem na mente. Com o tempo, passei a ver cada ação como um processo em si. Se algo é feito com atenção total e intenção verdadeira, o resultado vem naturalmente. Hoje, o foco não está mais no final, mas na qualidade do caminho. O que precisa acontecer, acontece. Sinto uma evolução real — mental e física. As pessoas ao meu redor também percebem. Antes eu dependia de várias medicações para controlar a hiperten...

15- Harmonia nas relações/ Harmony in Relationships

Escrito em: 06/10/2023 Depois de um evento traumático, como um AVC, as relações de dependência ganham uma nova dimensão. As personalidades ficam mais evidentes e os ajustes naturais nos relacionamentos deixam de funcionar, porque qualquer acomodação forçada só amplia as diferenças entre as pessoas envolvidas. Vivemos em um mundo estruturado em relações desiguais: homem e mulher, chefe e subordinado, adulto e criança, cuidador e paciente. Quando alguém está fragilizado, esse desequilíbrio fica ainda mais exposto — e é aí que as relações precisam ser repensadas com cuidado. A empatia é essencial, e precisa ser de mão dupla. Sem empatia, tudo se transforma em julgamento e atrito. E desenvolver empatia exige maturidade espiritual — não no sentido religioso, mas na capacidade real de enxergar o outro sem filtros de ego ou superioridade. Após o AVC, percebi que muitas pessoas — familiares e amigos — tentaram justificar atitudes inadequadas minhas apenas porque eu estava em recuperação. Isso ...

14- O AVC como professor/ Stroke as a Teacher

Escrito em: 07/07/2023 Há cinco anos recebi o diagnóstico de hemiplegia esquerda — a limitação de movimento de um lado do corpo. À primeira vista, é algo que assusta. Mas quando perguntei se deveria ter medo, a resposta foi clara: não. E esse foi o ponto de virada. Percebi que as dificuldades poderiam ser uma poderosa fonte de aprendizado, e que experiências duras também fazem parte da construção da nossa evolução. Mesmo com a hemiplegia, não me senti derrotado. Escolhi aceitar e mergulhar de cabeça no processo. Como faço parte de uma escola filosófica, sei que cada pessoa tem seu próprio tempo e caminho evolutivo. Se aquilo estava acontecendo comigo, era porque eu precisava daquela experiência para crescer. Essa consciência tornou tudo mais leve. Depois do AVC, comecei a enxergar padrões de comportamento que eu não via antes — principalmente nos relacionamentos. Percebi que muitas vezes eu reagia com agressividade, seja no discurso, seja na postura. Era uma forma de compensação. Com o...