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29- Responsabilidade / Responsibility

Escrito em: 17/12/2024 Hoje quero refletir sobre a união entre dois conceitos que, à primeira vista, parecem vir de mundos diferentes, mas que, na prática, se encontram no mesmo ponto: cooperativismo e fraternidade branca. Minha intenção aqui é simples: mostrar como ideias bem compreendidas podem fortalecer o ser humano, principalmente quando ele atravessa experiências difíceis ou traumáticas. A chamada fraternidade branca, dentro das tradições espiritualistas e das chamadas ciências ocultas, é entendida como uma organização de mestres espirituais que trabalham em conjunto na observação e orientação da humanidade. Independentemente de as pessoas terem consciência disso ou não, a ideia central é de um grupo de consciências mais maduras ajudando no desenvolvimento humano. Se quisermos trazer isso para uma imagem mais simples, podemos pensar na figura de irmãos mais velhos — não no sentido biológico, mas no sentido espiritual. Aqueles que já passaram por certas experiências e, por isso, p...

28- Como se curar/ How to Heal?

Escrito em: 28/11/2024 Em hospitais especializados em doenças neurológicas, como a Rede Lucy Montoro, por exemplo, os psicólogos dão muita atenção ao estado emocional do paciente. E isso faz todo sentido: se a pessoa entra em depressão, isso pode até atrapalhar — ou travar — o processo de recuperação do corpo, mesmo com todas as terapias em andamento. Parece pouco, mas só o fato de sabermos que as emoções interferem na cura já é um avanço enorme. Quando tive o AVC, acordei na UTI tentando entender exatamente o que estava acontecendo comigo. A minha primeira preocupação foi reconhecer a situação. Em um momento de reflexão, perguntei a algo maior se eu deveria sentir medo. A resposta interna foi clara: não. A ideia de que tudo o que acontece pode ter um sentido me ajudou a manter o emocional em equilíbrio. Mas isso funciona para todo mundo? Não necessariamente. Cada pessoa precisa de alguma base que a sustente por dentro. Para alguns, é a filosofia. Para outros, a religião. Tem gente...

27- O Leitor é o principal elo da comunicação escrita / The Reader Is the Main Link in Written Communication

Escrito em: 19/11/2024 Escrever sempre foi algo natural para mim. Lá no ginásio e no colegial, eu escrevia porque era o que a escola pedia — e percebi que os professores gostavam do que liam. Aquilo já dizia alguma coisa: eu conseguia me comunicar por texto. Depois do AVC, minha terapeuta ocupacional resgatou essa habilidade nas terapias, primeiro como um jeito de estimular funções cognitivas importantes para a recuperação. Com o tempo, ela percebeu que aqueles textos podiam ir além de exercício: podiam servir para outras pessoas. Foi daí que surgiram, junto com a terapia, a ideia de escrever com mais propósito, depois o blog e, em seguida, o Instagram como forma de divulgar o conteúdo. Mas afinal, o que é escrever? Escrever para o outro é falar de algo que realmente passou pela nossa experiência, sem cair nas armadilhas do ego e da vaidade. Essas coisas só atrapalham e afastam do que importa: a verdade do que está sendo dito. Para escolher bem as palavras, a cabeça precisa est...

26- Viajar é bom! /Travel Is Good!

Escrito em: 24/10/2024 Viajar é, antes de tudo, uma forma de autocuidado. É um tempo que você separa para cuidar de você mesmo. Existem muitos tipos de viagem: a de lazer, a de trabalho, a de estudo, a para visitar a família, e por aí vai. Cada uma tem seu motivo, mas todas têm algo em comum: tiram a gente da rotina e colocam a cabeça em outro lugar. Na minha retomada depois do AVC, decidi fazer uma viagem com foco em objetividade e segurança. No quesito objetividade, escolhi um lugar onde minha presença faria sentido. No meu caso, fui para um evento e curso da Pró Vida, em Nova York. Para encarar essa primeira viagem pós-AVC, precisei planejar muito mais do que antes. Eu já não tinha a mesma margem para improvisar nem a antiga flexibilidade para resolver imprevistos. Aquele excesso de confiança que fazia parte da minha personalidade e servia como “reserva” para apagar incêndios simplesmente não existe mais. Hoje, tenho mais consciência e menos impulsividade. Minha fragilidade ...

25- O outro no coletivo/ The Other in the Collective

Escrito em: 12/09/2024 Hoje quero falar sobre algo simples e, ao mesmo tempo, decisivo: o poder da união, o respeito pelo outro e o sentido real de coletividade. Existem vários níveis de coletivo. Começa nas amizades entre duas ou mais pessoas, passa pela família, pelo trabalho, pelas relações financeiras, sociais, filosóficas, esportivas e vai por aí. Em todos esses ambientes, a lógica é a mesma: ou a gente aprende a conviver, ou tudo vira disputa. O grande inimigo da coletividade é o egocentrismo. É quando a pessoa passa a justificar suas atitudes só a partir dos próprios interesses. Nessa hora, a razão vira refém da conveniência. E a verdade é simples: não existe razão de verdade que não leve ao coletivo. A gente não foi feito para viver isolado. Fomos feitos para conviver, cooperar e construir junto. Com a reabilitação a todo vapor, comecei a resgatar algo que sempre foi importante para mim: o cuidado com o outro. Depois do AVC, passei a ser cuidado como uma criança. Mas, mesmo ass...

24 - Humores e temperos nas relações humanas/ Moods and Seasonings in Human Relationships

Escrito em: 22/08/2024 Depois do AVC, passei a prestar atenção em tudo de um jeito que antes não prestava. Antes, eu tratava muita coisa como se fosse igual. As informações ficavam na cabeça; no coração, eu guardava só o que era mais íntimo: família, filhos, amigos. Hoje, entendo que a maior parte das coisas fica, sim, no coração — mesmo quando a gente finge que é só racional. Isso ficou muito claro nas relações com cuidadores e profissionais de saúde. Antes, eu avaliava as pessoas quase só pelo lado funcional: assiduidade, pontualidade, competência técnica, comunicação rápida e objetiva. Depois do AVC, comecei a perceber coisas mais sutis, mas decisivas: o tom de voz, a intenção por trás da fala, a presença (ou ausência) de empatia, as crenças internas de cada um — que, mesmo sendo internas, interferem diretamente na relação externa — além de valores morais, senso de responsabilidade e respeito. Ao longo da reabilitação, fui aprendendo a me relacionar melhor com terapeutas e cui...

23- O medo controlado/ Controlled Fear

Escrito em: 08/08/2024 O medo é um mecanismo de defesa poderoso. Em certos níveis, protege. Em excesso, paralisa. Ele não afeta apenas o emocional — interfere no corpo inteiro, inclusive nas funções vitais. A pergunta central não é se teremos medo, mas como mediá-lo. E a mediação acontece por meio do conhecimento. Conhecimento gera prudência. Prudência é saber dosar riscos sem se sabotar. Quando isso acontece, a razão ocupa o lugar que deveria ter desde sempre: o de conduzir as decisões. Na minha experiência pessoal, quando constatei a hemiplegia ainda na UTI, a pergunta foi inevitável: devo ter medo? Foi aí que o conhecimento filosófico falou mais alto. A resposta foi clara: não. Porque, no fim, “o melhor acontece a cada um” — ainda que esse “melhor” nem sempre venha com a forma que imaginamos. Ao longo da reabilitação, o medo precisou ser reconhecido e trabalhado. Durante os treinos de marcha com os fisioterapeutas, ficou evidente que o desequilíbrio faz parte do processo. Eu...